ela era essencialmente como qualquer uma de nós, mulher. sonhava em ser princesa, sonhava como quem quer além de tudo algo a mais... não se sabe a partir de quando esses sonhos deram lugar a uma dura realidade, sua essência era a mesma, mas para a sociedade sua índole era a mais baixa e repugnante em que uma mulher poderia se encontrar...
com o passar do tempo a vergonha era quem determinava seu itinerário, a sensação era de que a cada esquina se escondia seu destino, ou melhor sua condenação...
a vergonha a dominou de tal forma que as evidências e atividades se tornaram rotina, e a determinação de olhar com fé estava cada vez mais ressequida, já que quando não se sabe onde quer chegar qualquer caminho serve.
você pode imaginar o tipo de confiança dado a alguém com esse tipo de reputação, as outras mulheres asseguravam que seus maridos permanecessem distantes, as mães mostravam usando-a como exemplo dizendo quão distante estava aquele caminho do caminho de uma princesa, que tinha sonhos, e belas histórias pra contar...
porém um dia alguém a observa, interessante ela ao perceber-se observada compreender em um olhar apenas o que era ser olhada como se valesse o equivalente ao tesouro de um mundo inteiro, mas ao mesmo tempo perceber que o preço se sustentava na própria vida daquele que em um olhar a amou....
ela não teve tempo de duvidar ou sequer discutir se aquele olhar era parecido ou não com tantos olhares que ao cair da noite lhe admiravam, mas que no nascer do dia lhe apontavam cheios hipocrisia quão desmerecida ela se tornara...
aquele olhar lhe remeteu ao passado, naquele mesmo olhar ela pode relembrar sobre aquilo que tanto quis ser, e no que se tornara, aquele olhar lhe deu um vislumbre que nenhum brilho de sua vida, ou qualquer outro que ela soube ter iluminado poderia superar, .... aquele olhar de alguma forma lhe assegurou sobre lutas que ela ao menos conhecia, e sobre alegrias maiores ainda daquelas que a tanto tempo se perderam de vista...
o mais bonito e grandioso ainda estava por vir num som de quem no mínimo tinha o controle da vida nas mãos ela pode ouvir o seu nome, e a partir desse dia essa voz se tornou tão familiar quanto necessária...
não sei o quanto me frustra saber que sua história não teve fim nesse ultimo trecho, mas tenho a sensação de que a continuação dela pode trazer até os dias de hoje alívio, conforto e paz ao meu e ao seu coração...
a mesma voz que soou num estonteante e livre "vá e não cometa mais os mesmos erros..." a recebeu quanto ela voltou dos exatos erros pelos quais fora advertida... seria justo pensar que tudo bem isso aconteceu apenas uma vez, mas apesar de aquele olhar ser tudo e um pouco mais daquilo que ela sempre desejou, um outro olhar carrancudo e vazio lhe acusava de que o presente era bom demais pra ser verdade, e que se fosse verdade era melhor ela olhar-se no espelho, era óbvio que ela não merecia, e por vezes deixou-se acreditar...
mas um dia, que para ela na verdade não estava programado, e ironicamente já estava detalhado nos sonhos daquele que é o próprio doador de tudo o que se transforma em felicidade, muda tudo, ela agora numa nova rotina de ir e vir aos pés do seu Salvador esperando que Ele a rejeite, quando então finalmente ela percebe o que aquele olhar queria dizer desde o princípio, seu Salvador não estava nem um pouco interessado em quantas vezes precisaria repetir aquela ação, sua preocupação se firmava unicamente em saber quão completa ela se tornava cada vez que retornava para se preencher...
a vida portanto não se resume a quantas vezes envergonhado procuramos um Salvador...
porém ela só ganha sentido quando nos deixamos ser completos, (quantas vezes forem necessárias) pelo seu infinito amor....